Bernardo tentava se concentrar no trabalho, mas não
conseguia. Saiu para almoçar e resolveu passar na casa de Lívia. Tocou o
interfone mais ninguém atendeu. Com uma facilidade de atleta, pulou a grade de
mais de dois metros e foi entrando. Tudo estava no mais pleno silêncio. Subiu
as escadas. A porta do quarto de Lívia estava entreaberta. Pode vê-la dormindo
de bruços. Seus longos cabelos negros espalhavam-se pelo travesseiro e pela
cama. Aproximou-se silenciosamente. Podia sentir seu cheiro doce. Como um
animal curioso, apoiou suas mãos sobre a cama, tentando observá-la mais de
perto. Os pelos do corpo de Lívia se eriçaram novamente, era quase
imperceptível, mas Bernardo conseguia notar. Assustada ela virou-se de costas e
deparou-se com Bernardo olhando-a curioso. Suas pupilas estavam gigantes e
verticais. Com um salto derrubou Bernardo no chão colocando suas grandes garras
em seu pescoço.
“Hei, hei, hei, sou eu,
seu amigo Bernardo.” Os
olhos de Lívia foram voltando ao normal, as unhas diminuíram e como por encanto
ela desapareceu em frente aos olhos de Bernardo. Apenas seu perfume permanecia
no ar.
Os acontecimentos dos últimos dias o estavam deixando
atordoado. Voltou para a oficina, mas não conseguiu mais concentrar-se nas
motos. Ligou seu computador e foi pesquisar mais sobre gatos.
Na mitologia nórdica, a deusa Freya, a qual possui uma carruagem puxada por dois gatos, que representavam as qualidades da deusa: a fertilidade e a ferocidade. Esses gatos exibiam as facetas do gato doméstico, ao mesmo tempo afetuosos, ternos e ferozes. Os templos pagãos da região nórdica eram frequentemente adornados com imagens de gatos.
Bernardo continuava perplexo com as coisas que descobria em sua pesquisa. Enquanto isso,
Lívia andava pelas ruas de Santos desorientada.
Passava pelas pessoas e ninguém podia notá-la. A fome e a sede lhe consumiam.
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